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Inteligência Artificial e a Reconfiguração do Poder Econômico

Inteligência Artificial e a Reconfiguração do Poder Econômico

23/12/2025 - 22:51
Yago Dias
Inteligência Artificial e a Reconfiguração do Poder Econômico

Em 2026, a Inteligência Artificial consolida-se como a infraestrutura estratégica global que redefine os alicerces do poder econômico.

Este ano marca a transição da fase de hype para a maturidade prática, onde os ganhos reais começam a superar as expectativas.

As economias enfrentam uma reconfiguração profunda e irreversível, com impactos que variam drasticamente entre regiões e setores.

Para entender essa transformação, é essencial explorar como a IA está remodelando a produtividade, os investimentos e as estruturas econômicas.

Este artigo oferece insights práticos para navegar nessa nova era, destacando oportunidades e desafios críticos.

Adoção Rápida e Impactos na Produtividade

A adoção da IA ocorre a um ritmo mais acelerado do que tecnologias anteriores, segundo análises do FMI.

No curto prazo, os efeitos são modestos, com um aumento cumulativo de apenas 1,1% na produtividade europeia em cinco anos.

Porém, no longo prazo, os ganhos podem ser significativos, atingindo até 5% em países como a Noruega.

Em contraste, economias menos desenvolvidas, como a Romênia, podem ver aumentos inferiores a 2%.

Profissões de colarinho branco, como gestão e finanças, são as mais expostas a essas mudanças.

  • Sectores com alta exposição: gestão, finanças, software e saúde.
  • Impacto desigual: economias avançadas beneficiam mais do que emergentes.
  • Necessidade de requalificação: trabalhadores devem adaptar-se a novas ferramentas.

Isso exige políticas proativas para maximizar os benefícios e mitigar desigualdades.

Investimentos e o Mercado Global em Expansão

Os gastos globais com IA ultrapassarão US$ 2 trilhões em 2026, equivalente a R$ 16,1 trilhões.

Investimentos em infraestrutura, como data centers e GPUs, atingirão US$ 500 bilhões até 2025.

Esses números refletem a demanda por recursos como energia e hardware de ponta.

O mercado de robôs humanoides, por exemplo, deve crescer para US$ 38 bilhões até 2035.

Com aceleração em 2026, seu potencial pode superar US$ 150 bilhões na mesma década.

  • Áreas de investimento-chave: GPUs, data centers, energia renovável.
  • Mercados emergentes: robótica, transporte autônomo, biotecnologia.
  • Oportunidades para startups: inovação em aplicações práticas de IA.

Empresas e investidores devem focar em sectores com crescimento sustentável.

Transformações Setoriais e Autonomia Operacional

A IA está a criar "Organizações Cognitivas" onde sistemas autónomos executam tarefas complexas.

Isso inclui a negociação de orçamentos e a otimização de produção sem intervenção humana.

Na robótica, a IA Física permite que robôs realizem tarefas físicas com maior eficiência energética.

No transporte, robotáxis poderão operar em 8 a 10 metrópoles, com custos de US$ 0,30 por milha.

A descoberta de fármacos movida a IA deve gerar US$ 41 bilhões até 2032, com crescimento anual de 122%.

Na biotecnologia, terapias impulsionadas por IA podem valer US$ 183 bilhões até 2032.

  • Sectores em transformação: saúde, logística, varejo, finanças.
  • Tecnologias disruptivas: Edge AI, Smart Glasses 2.0, sistemas "Bot-to-Bot".
  • Vantagens competitivas: automação para reduzir custos operacionais.

As empresas devem investir em autonomia para manter a relevância no mercado.

Esta tabela ilustra como os benefícios da IA são desiguais, exigindo estratégias personalizadas.

Desafios e Riscos Econômicos a Considerar

2026 serve como "prova de fogo" para a IA, com risco de bolha se não entregar ganhos tangíveis.

Tensões geopolíticas, como tarifas em um "Mundo de Trump", podem desacelerar a adopção global.

A infraestrutura global precisa de US$ 106 trilhões até 2040, com US$ 15 trilhões só em energia até 2035.

A demanda elétrica é crítica: uma consulta generativa de IA consome 10 vezes mais energia que uma busca tradicional.

Isso exige investimentos em fontes renováveis e eficiência energética.

  • Principais riscos: bolha tecnológica, desigualdades regionais, pressão sobre recursos.
  • Soluções práticas: diversificação de investimentos, políticas de energia sustentável.
  • Acções imediatas: monitorizar métricas de produtividade real.

Empresas devem planejar para cenários de alto risco e baixo crescimento.

Mercados Financeiros e Rotação Setorial

A IA continua a ser um motor estrutural para os mercados financeiros, com valorizações em tech em 2025.

No entanto, uma rotação para médias empresas e outros sectores é provável com a queda das taxas de juro.

Volatilidade pode surgir devido a políticas monetárias e factores geopolíticos imprevisíveis.

Investidores devem equilibrar portfolios entre gigantes tech e oportunidades em sectores emergentes.

Isso ajuda a mitigar riscos e capitalizar em tendências de longo prazo.

  • Estratégias de investimento: focar em empresas com aplicações práticas de IA.
  • Sectores promissores: automação industrial, saúde digital, energia limpa.
  • Monitorização: acompanhar indicadores económicos e inovações tecnológicas.

Uma abordagem diversificada é chave para o sucesso financeiro nesta era.

Posição do Brasil e da Europa no Cenário Global

O Brasil é o terceiro maior usuário mundial do ChatGPT, destacando-se em aplicações práticas.

Sua vantagem está na camada de aplicação, não no desenvolvimento de modelos large-scale.

Para a Europa, os ganhos dependem de políticas como um mercado único eficiente e regulação ética.

A mobilidade laboral e mercados financeiros para intangíveis são cruciais para competitividade.

Ambas as regiões devem focar em inovação adaptada às suas realidades locais.

  • Oportunidades para o Brasil: liderança em IA aplicada a agricultura e serviços.
  • Desafios para a Europa: harmonização regulatória e investimento em P&D.
  • Colaboração global: parcerias para compartilhar conhecimento e recursos.

Essa cooperação pode acelerar a adopção benéfica da IA.

Políticas e Oportunidades de Longo Prazo

Políticas eficazes devem acelerar a pesquisa e desenvolvimento, especialmente em áreas como medicamentos.

Mercados flexíveis e proteção social portátil ajudam os trabalhadores a adaptarem-se às mudanças.

A IA promete gerar "abundância" em serviços personalizados, mas exige acção para evitar inação.

Governos e empresas devem investir em educação e formação contínua.

Isso garante que os benefícios económicos sejam distribuídos de forma mais equitativa.

  • Recomendações políticas: incentivos fiscais para inovação, suporte à requalificação.
  • Oportunidades futuras: novos empregos em manutenção de IA, ética tecnológica.
  • Visão inspiradora: um mundo com maior produtividade e qualidade de vida.

Ao abraçar essas mudanças, podemos construir economias mais resilientes e inclusivas.

A reconfiguração do poder económico pela IA é uma jornada complexa, mas cheia de potencial.

Com planeamento estratégico e adaptação, indivíduos e organizações podem prosperar.

O futuro pertence àqueles que conseguem integrar a inovação com sabedoria prática.

Yago Dias

Sobre o Autor: Yago Dias

Yago Dias