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Segurança Alimentar: O Desafio Global do Século

Segurança Alimentar: O Desafio Global do Século

27/01/2026 - 08:31
Yago Dias
Segurança Alimentar: O Desafio Global do Século

Num mundo de abundância, ainda enfrentamos uma realidade sombria onde milhões passam fome todos os dias.

As estatísticas globais apontam para um cenário alarmante, com projeções que exigem ação imediata.

Em 2026, estima-se que 318 milhões de pessoas estejam em situação de fome crítica, mais que o dobro dos níveis de 2019.

Estatísticas e Projeções Globais

Os números revelam uma crise profunda, mas também alguns progressos parciais.

Em 2024, 673 milhões de pessoas enfrentaram fome, uma queda de 15 milhões em relação a 2023.

No entanto, este valor ainda está acima dos níveis pré-pandemia, destacando a fragilidade dos avanços.

Alguns dados-chave ilustram a magnitude do problema:

  • Insegurança alimentar moderada ou grave afeta 2,3 bilhões de pessoas globalmente em 2024.
  • A anemia em mulheres em idade reprodutiva aumentou para 30,7% em 2023.
  • A inflação de alimentos atingiu um pico de 13,6% em janeiro de 2023.
  • Existem 16 pontos críticos de fome, como Haiti e Sudão do Sul.

O Programa Mundial de Alimentos planeja ajudar apenas um terço dos mais vulneráveis, com recursos limitados.

Tendências Regionais da Fome

As disparidades regionais são gritantes, com alguns locais em progresso e outros em declínio.

A África continua a ser a região mais afetada, com mais de 20% da população em fome.

Na América Latina e Caribe, houve melhorias, mas os riscos climáticos persistem.

O Brasil tem um plano ambicioso para sair do Mapa da Fome até 2026, com estratégias específicas.

Para uma visão clara, veja a tabela abaixo com dados regionais de 2024:

Esta tabela mostra como a fome se distribui desigualmente pelo mundo.

Causas Principais da Insegurança Alimentar

Vários fatores se combinam para alimentar esta crise, muitos deles interligados.

Conflitos armados são os principais impulsionadores de múltiplas fomes simultâneas.

Eventos climáticos extremos ameaçam a estabilidade dos sistemas agroalimentares globalmente.

A instabilidade económica e a inflação elevam os preços dos alimentos, tornando dietas saudáveis inacessíveis.

Outras causas incluem:

  • Cortes em financiamento humanitário por parte de países desenvolvidos.
  • Barreiras econômicas que limitam o acesso a nutrição adequada.
  • Desnutrição crónica, especialmente em crianças e mulheres.

Estes desafios são complexos e exigem abordagens multifacetadas.

Iniciativas e Estratégias para Combater a Fome

Em resposta, diversas iniciativas estão sendo implementadas a nível global e local.

O relatório SOFI 2025 recomenda políticas fiscais direcionadas e investimentos em pesquisa agrícola.

No Brasil, o Plano de Segurança Alimentar e Nutricional inclui 18 estratégias e 219 iniciativas.

Em Portugal, uma estratégia para produção sustentável de cereais foi lançada para 2025-2030.

Algumas ações-chave são:

  • Fortalecimento de sistemas nacionais de segurança alimentar.
  • Investimentos em cadeias de valor regionais, como no plano africano PIDAA.
  • Reconhecimento do papel das mulheres agricultoras, com o Ano Internacional 2026.

Estas medidas visam criar resiliência a longo prazo.

Desafios e Perspectivas para 2026 e Além

Olhando para o futuro, os obstáculos são significativos, mas não intransponíveis.

Os cortes de financiamento, como os 40% relatados pelo PMA, podem anular ganhos anteriores.

A geopolítica e as mudanças climáticas imprevisíveis aumentam os riscos.

Líderes globais expressam preocupação, mas também esperança na colaboração.

Declarações importantes incluem:

  • Cindy McCain do PMA alerta que a crise não abrandará em 2026.
  • Qu Dongyu da FAO enfatiza a necessidade de esforços colaborativos.
  • Tedros Adhanom da OMS destaca avanços, mas lacunas persistentes.

Estas vozes reforçam a urgência de ação coletiva.

Soluções Práticas e Caminho a Seguir

Para inspiração e ajuda prática, aqui estão passos que podem fazer a diferença.

Comece por apoiar políticas que promovam proteção social e investimentos em infraestrutura agrícola.

Educar-se sobre questões alimentares locais e globais pode empoderar comunidades.

Engajar-se em iniciativas voluntárias ou doações para organizações humanitárias é uma forma direta de ajudar.

Algumas recomendações específicas:

  • Advogar por financiamento consistente para programas de segurança alimentar.
  • Promover práticas agrícolas sustentáveis que resistam a eventos climáticos.
  • Valorizar o papel das mulheres na agricultura, como reconhecido em 2026.
  • Apoiar inovações tecnológicas que aumentem a produtividade alimentar.
  • Fomentar cooperação internacional para lidar com causas estruturais.

Juntos, podemos transformar esta crise em uma oportunidade para um futuro mais justo.

A segurança alimentar não é apenas um desafio; é uma missão humanitária que nos convoca a agir com compaixão e determinação.

Yago Dias

Sobre o Autor: Yago Dias

Yago Dias